Homenagem a Paul Newman - Parte 2

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Paul Newman: O (grande) piloto


Seu primeiro contato com carros de corrida aconteceu em 1969, ao gravar "Winning” (500 Milhas). Um filme que foi produzido em 1968, estrelado por Paul Newman, Robert Wagner e a atriz que seria sua esposa, Joanne Woodward.

Conta a lenda que, ao longo da preparação para este filme (que contou com a presença de pilotos como Dan Gurney e Bobby Unser), Newman teve aulas de pilotagem com Lake Underwood e Bob Sharp. E foi graças à esta curso, aliado ao “laboratório” que teve junto à pilotos das categorias Stock Car e Indy, que Newman passou a interessar-se por automobilismo. A partir de então, nunca mais deixou o esporte. Newman colocou na cabeça que era imperativo continuar no automobilismo. E com a mesma seriedade com a qual dedicava-se à papéis diversos, tornou-se um piloto respeitado.

Em 1972, disputou sua primeira prova como piloto, e também obteve sua primeira vitória, com um Lotus Elan em Thompson (Connecticut). Quatro anos mais tarde, ele garantiria seu primeiro de quatro títulos na classe SCCA (Sports Cars Club of America), categoria “D” (veículos de produção). Em 1977 competiu pela primeira vez nas 24 Horas de Le Mans (terminou em 5º) e em 1979 foi o segundo colocado ao volante de um Porsche 935.

Sua primeira vitória como piloto profissional veio na categoria Trans-Am (Trans-American – realizado nos EUA e Canadá entre 1966 e 2005), onde venceu corridas em Brainerd (Minnesotta) em 1982 e em Lime Rock, 1986.

Em 1988, Newman disse uma de suas frases mais marcantes, ao revelar sua opinião sobre os dois “mundos” no qual atuava: “Correr é a melhor forma que conheço para escapar de todo o lixo de Hollywood”, ressaltou.

Sua última vitória aconteceu em 1995, quando Newman, aos 70 anos – venceu na classe IMSA GT a prova 24 Horas de Daytona – o mais velho piloto (embora eu não goste de escrever exatamente desse jeito) a vencer uma prova até hoje. Já sua última corrida também foi em umas 24 horas de Daytona no dia 02 de fevereiro de 2001. Na época, Newman estava com 76 anos.

Nesta época, Newman já havia deixado claro que sua agenda teria espaço apenas para filmes que lhe dessem prazer, de preferência, aqueles no qual o automobilismo fosse o assunto principal do roteiro.

E o maior exemplo disso foi a peregrinação que ele fez ao lado do ator Tom Cruise – seu companheiro de filmagens no “oscarizado” filme “A cor do dinheiro” – junto às três montadoras norte-americanas, em busca de apoio para um filme que retratasse o mundo da Nascar.

Dias de Trovão – A Saga

Newman tinha uma grande ligação com a Ford - além de pilotar um Ford Galaxie no citado filme Winning, sua empresa de alimentos Newman’s Own sempre utilizou caminhões daquela marca, aliado ao fato de que seu time na F-Indy sempre correu com propulsores Ford Cosworth. Mas o orçamento do filme na casa dos US$ 7 milhões não foi aprovado pela diretoria da empresa.

A próxima visita foi à Chrysler, na época, presidida pelo saudoso Lee Iacocca. Este até que topou conversar à respeito mas, ao saber do valor pedido, indagou se Newman e Cruise aceitariam fazer comerciais de TV, anunciando produtos da empresa. Newman respondeu negativamente, alegando que não estava em declínio para ter q aceitar aparecer em propagandas de TV. Evidentemente, o negócio não foi fechado e à dupla.

A última opção seria a General Motors (GM). E esta topou participar do filme. Detalhe: tanto a Ford como a Chrysler deve se lamentar até hoje à cada vez em que o filme (Days of Thunder – 1990) é exibido e/ou alugado – o filme é um verdadeiro “comercial” de duas horas sobre a potência do veículo Chevrolet Lumina.

E se Newman não aparece neste filme, fica o consolo de ver sua participação (na verdade, sua voz) no desenho animado “Cars” (“Carros”-2006) onde a rouca voz de Newman “dá vida” ao personagem Doc Hudson.

Em 1983, Newman juntou-se ao piloto Carl Haas, na condição de sócio de uma nova equipe, a Newman Hass, na categoria CART (Championhip Auto Racing Teams), atual Fórmula Indy. Mario Andretti era o principal piloto. Entre os outros pilotos, destaque para Michael Andretti, Nigel Mansell, Roberto Pupo Moreno, Christian Fittipaldi, Cristiano da Matta e Sébastien Bourdais. Em 2007, o empresário Mike Lanigan tornou-se sócio do time.

A união, que dura até hoje, apresenta um cartel invejável: 97 vitórias, sete títulos de pilotos, 100 “pole positions”. Além destes números, a equipe Newman-Haas ainda fez história como o único time a vencer cinco títulos com cinco diferentes pilotos (1984-Mario Andretti; 1991-Michael Andretti; 1993-Nigel Mansell; 2002-Cristiano da Matta; 2004; 2005; e 2006-Sebastien Bordeuais).

Um apaixonado pelo mundo da NASCAR, Newman chegou a anunciar que, ao lado de Carl Haas, iria participar da Nascar. Uma parceria com o time de Robert Yates – campeão de 1999 com Dale Jarrett chegou à ser anunciada mas, com a aposentadoria de Yates, o plano foi abortado. A Newman Hass também participou de alguns campeonatos da Trans AM.

No próximo capítulo, veremos as declarações dos pilotos que trabalharam com Paul Newman na Newman Hass.

Até mais.

Comments

2 Responses to “Homenagem a Paul Newman - Parte 2”
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Legal não sabia que ele ajudou a arrumar patrocinio para Dias de Trovão,muito legal essa história!

8 de outubro de 2008 20:06
Fábio Andrade disse...

Paulo, está fazendo um grande trabalho, apesar dos problemas com o tempo.

Muito bom, cara. Ansioso pela 3ª e útlima parte. Parabéns!

8 de outubro de 2008 23:09

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