Fala Blogueiro! Estratégia, Emoção, Talento.... o resumo do GP de Chicago

domingo, 7 de setembro de 2008


Última prova da temporada, decisão de título, alta carga de ansiedade e adrenalina. O blogueiro que aqui vos fala não ia conseguir falar tudo sobre o GP de Chicago em apenas 1 post. Então vamos lá.

O que muitos viram nesta corrida foi um legítimo exemplo de competitividade ao extremo. Não quero de forma alguma dizer que outras categorias não sejam competitivas, mas a Indy superam elas em muito.

Basta ver o cenário envolvendo os aspirantes ao título no início da prova. Dixon largando em 2º e Hélio em 28º após ser punido nos treinos. Hélio precisava vencer e com o maior número de voltas (3 pontos extras) e Dixon não poderia passar da 9ª posição. Era difícil, era complicado. Mas uma frase famosa do grande piloto de F1 Juan Manuel Fangio (a qual ouvi várias vezes na transmissão do GP da Bélgica de F1) cai muito bem nesta análise: "Corridas são corridas".

Um dos fatores da prova foi a Estratégia.

Hélio largou no fim do grid e, com a faca nos dentes, veio fazendo as ultrapassagens. Rapidamente já estava entre o 10 primeiros. Enquanto isso, Dixon fazia uma prova com muito cuidado, procurando não se expor demais e correr riscos desnecessários. Após as bandeiras amarelas e pits, lá estava Hélio na liderança e Dixon passando por apuros na 10ª posição. O neo-zelandês reconheceu os problemas: "Tive pequenos problemas no meio. Alguns dos nossos rivais estavam muito rápidos. E haviam alguns com que não contávamos".

Neste instante, a Penske colocou em prática sua estratégia. Briscoe protegendo Hélio de ataques de Dan Wheldon e ambos andando um tanto mais lentos, para que todos os carros ficassem próximos e vários pilotos tentassem passar por Dixon. Confesso que não tinha pensando nisso ao ver os 10 primeiros colocados tão próximos. A estratégia deu certíssimo.

Aí entrou em ação a contra ofensiva da Ganassi. Fizeram alterações no carro de Dixon, para que ele pudesse andar melhor no tráfego e rapidamente ele já estava entre os 5 primeiros. Na última parada dos boxes, a equipe fez um ótimo trabalho e devolveu Dixon em primeiro com Hélio em segundo (embora eu tenha visto Hélio saindo "esparramado" demais de se pit e por isso ter perdido tempo).

O próximo fator apareceu diversas vezes na prova: a Emoção.

Há quanto tempo não víamos disputas acirradas por posições em um oval, com vários carros lado a lado (side by side) inclusive com 3 carros lado a lado por várias voltas? Pois bem, Chicago proporcionou este espetáculo. E ele, misturado às estratégias das equipes Penske e Ganassi, proporcionaram altas doses de emoção. Hélio, Briscoe e Wheldon andaram lado a lado por quase 4 voltas. Hélio e Dixon disputaram bico a bico a vitória nas últimas voltas. E tudo isso a mais de 340 km/h! Que falta isso faz a F1, onde a aerodinâmica não permite essas disputas acirradas por posição....

Fora a dúvida cruel: será que Hélio consegue virar o jogo? Dixon conseguirá sair daquela incômoda 10ª posição? Entre outras tantas que apareceram quando estavam prestes a entrar nas últimas 50 voltas da prova.

Quer emoção? Veja o vídeo da chegada milimétrica de Chicago.

E o gran finale!!! O último fator aparece nas voltas finais: o Talento.

Digo isso porque ele proporcionou esta prova emocionante. Durante toda a temporada, Scott Dixon foi magistral, excepcional, fantástico. Afinal, ele quase quebrou um recorde antigo: o de maior número de vitórias na mesma temporada. Ele acabou igualando a marca de 6 vitórias de ..... (mais tarde vejo qual é o piloto....rs). E, se não estou enganado, ele quebrou o recorde de voltas na liderança em uma mesma temporada (também fico devendo este número para vocês).

Hélio Castroneves não fica atrás neste quesito. Desde que entrou na Indy (na extinta Bettenhaussen na época da Cart) ele impressiona por usa garra, vontade e superação. Pena que ele tenha a sina de sempre bater na trave. Ele já está a 5 anos na Penske e, até aqui, teve grandes pilotos como companheiro de equipe (Gil de Ferran e Sam Hornish Jr.) que foram campeões na Indy. Apenas neste ano, corre com o status de número 1 da equipe e disputou o titulo até o final. Acabou conseguindo um record não muito agradável: o de maior número de segundos lugares na mesma temporada - 7 no total.

No final de tudo, Hélio deu suas palavras: "Tentamos deixar o que passou para trás. Não tinha dúvida de que tinha um bom carro. Foi um grande desafio, mas nós fizemos tudo o que era possível. Mas, infelizmente, Scott estava lá também. Tenho de congratular a Ganassi".

Aí eu digo a vocês, o que Hélio poderia ter feito além do que conseguiu? Nada, é minha resposta. Ele fez tudo o que poderia frente a mistura de talento e sorte de Dixon nesta temporada. Mas pode comemorar seu vice como um símbolo da sua regularidade do nesta temporada e que indica que Helio ainda tem muita lenha pra queimar na Indy.

E é isso. O título da temporada 2008 ficou em boas mãos. Dixon realmente mereceu. A sorte que sorriu para Dixon poderia ter sorrido mais vezes para Hélio, mas o segundo lugar não é um desastre. Tony Kanaan acabou mesmo em terceiro lugar no campeonato, praticamente carregando a Andretti Green nas costas. Um ótimo resultado vendo tudo o que ele passou na temporada. Wheldon foi o 4º, em uma temporada apagada e derradeira na Ganassi. Danica Patrick conseguiu a primeira vitória de uma mulher em competições oficiais de monopostos. Mas caiu de rendimento no restante da temporada, embora com algumas boas provas. Terminou na 6ª posição no campeonato, atrás de Ryan Briscoe da Penske.

Vítor Meira, de temporada irregular na Panther, terminou na 13ª posição. Também fez o que podia com um carro de equipe mediana. Foi brilhante no 2º lugar que conquistou em Indianápolis. Os outros brasileiros terminaram em sequência: em 20º Bruno Junqueira (256 pts) que fez boas provas nos circuitos mistos, teria sido melhor se a pequena Dale Coyne tivesse lhe ajudado mais; em 21º Mário Moraes (244 pts) que cresceu na segunda metade do campeonato e fez boas provas tanto nos mistos como nos ovais); em 22º Enrique Bernoldi (220 pts) e em 23º Jaime Câmara (174 pts) não poderia conseguir resultados melhores correndo pela Conquest, uma das piores equipes da Indy.

E é isso pessoal. A temporada chegou ao fim e a partir de agora vamos acompanhar o mercado de pilotos e as declarações pós corrida em Chicago.

Até mais!

Comments

4 Responses to “Fala Blogueiro! Estratégia, Emoção, Talento.... o resumo do GP de Chicago”
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Anônimo disse...

Paulo, cadê a bia e o raphael matos?
eles merecem...

8 de setembro de 2008 00:21
Paulo Maeda™ disse...

Olá Anônimo. Calma rapaz (ou moça) rs. Foram tantas emoções na tarde da Indy que não deu tempo de falar sobre o Rapha e a Bia. Vou fazer um post só pra eles.
Até mais.

8 de setembro de 2008 07:58
Felipão disse...

Concordo, Paulo...

Ele não poderia ter feito nada além...

Ele simplesmente passou todo mundo, e ainda teve que disputar acirradamente a ponta com os Ganassis...

E que venha Surfer Paradise...

8 de setembro de 2008 10:39

Que corrida.O título foi merecido pro Dixon que dominou a temporada e Helinho foi um ótio rival,melhor sorte pra ele no próximo ano.Os recordes que vc citou que o Dixon quebrou eram do mesmo piloto:Tony Kanaan na temporada de 2004.

Abraços!

8 de setembro de 2008 22:43

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