Enquanto esperamos por Chicago...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Posto um texto super interessante feito pelo Victor Martins no site Grande Prêmio. Olha, vou postar ele na íntegra porque achei ele muito bom, ele diz em poucas palavras tudo o que o resultado do GP de Detroit fez refletir na Indy e na imprensa do mundo todo.
'Ato de Detroit' transforma Indy em anti-Indy
VICTOR MARTINS
de São Paulo

Eram 78 pontos, e faltavam oito, só oito, para que Scott Dixon tivesse consciência de que seu bicampeonato estava garantido em Sonoma. Daí Helio Castroneves, que não havia vencido no ano todo, venceu, e Dixon, seis triunfos na temporada, sempre entre os cinco primeiros, foi 12º. Chegaram a Detroit separados por 43, e as regras de pontuação eram claras: bastava a Dixon postar-se à frente de Helio, ainda mais largando da pole, para fisgar o título. O neozelandês, que sente assumidamente a pressão, terminou em quinto. E Helio provavelmente ganharia outra, não fosse uma decisão absolutamente contestável e estranha e estapafúrdia e etc. da direção outorgar que desse o primeiro lugar para Justin Wilson alegando que o brasileiro havia bloqueado o boneco de Olinda inglês.

A diferença entre os rivais baixou a 30. Mas seriam 20 com a vitória de Helio. Perfeitamente estratégicos para que o piloto da Penske pudesse bater no peito e sair neste fim de semana a sua moda em Chicago que, sim, tem chances de agregar a seu currículo de dançarino vencedor o de campeão nas pistas.

Vinte pontos tiráveis com o que se transformaria na terceira conquista consecutiva de Castroneves e um plenamente possível terceiro lugar de Dixon — restaria a Ryan Briscoe ou qualquer outro que não Dan Wheldon (não?) andar em segundo. Daí os dois ficariam empatados, e Helio poderia liderar o maior número de voltas para ter mais três pontos e comemorar. Ou ainda torcer somente para que Dixon só alcançasse um quarto posto.

Mas são 30 pontos. Helio tem de vencer e pedir que Dixon seja 11º, no mínimo.

A atitude dos comandantes da etapa de Detroit, independente do resultado que Dixon e Helio obtiverem no domingo, mela um campeonato que, mal ou bem, vinha lá com seu charme. De um lado um piloto com uma fase celestial, agregando competência pessoal, da Ganassi e uma sorte invejável; de outro, o outro, que bateu na trave o tempo todo, rei dos segundos, quase entregue e morto, viu seu carro principal queimar numa rodovia, recebeu o reserva, salvou o primeiro "match point" ganhando a prova, ganhou força e ânimo, e daí, quando ia salvar o segundo e tentar virar o jogo para ter o ponto final a seu favor, tiram-lhe numa ordem talvez inédita na história do automobilismo, dar passagem para o oponente por ter se defendido de um ataque.

O automobilismo norte-americano tem lá suas esquisitices. Tipo dar dez pontos para o cara que simplesmente está lá, alinhando e largando, e já que faz a linha show de pontos, não premia o pole-position com um sequer; trocar, nos EUA, de emissora, deixando para trás a principal TV de esportes do mundo, a ESPN, partindo para uma tal Versus, que tem menos assinantes e exposição, pois — aliás, a TV Bandeirantes promete por estas bandas para o ano que vem "no mínimo 14 etapas ao vivo"...; permitir a participação de Marty Roth e Milka Duno, algo que deveria ser expressamente banido e colocado como regra pétrea. Vinha bem, contudo. Vinha numa temporada em que agregava as equipes da Champ Car, de aumento de grid, de público e de interesse, vinha certinha, nos trilhos, fazendo e transformando-se em espetáculo.

Vai que Helio ganhe e Dixon termine acima do quarto lugar, e aí Helio saia apontando para todas as câmeras que só não foi campeão por causa de Detroit, e terá total razão, só que Dixon não mereceria de jeito maneira ter seu título merecido maculado e questionado, e seria injustiça Helio perder o caneco assim, numa decisão de segundos tomada por mentes nada brilhantes em que os dois não tiveram participação alguma. A Indy, que vinha certinha, jogou tudo para cima com o "Ato de Detroit", o anticlímax de Chicago, que deve ter pagado uns bons milhões de dólares para ter a primazia de sediar a decisão. O "Ato de Detroit" foi o fechamento das cortinas.

A Indy, sozinha, sozinha, foi anti-Indy.
Até mais.

Comments

2 Responses to “Enquanto esperamos por Chicago...”
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Realmente,essa decisão manchou mesmo a decisão do campeonato que tinha tudo pra ser emocionante,agora tá na mão do Dixon o campeontato...

Maeda também te premieidepois passa lá no blog!abraços

4 de setembro de 2008 21:05
Felipão disse...

Perfeito!!!

Muito bem colocado pelo Martins.

Mas não dá pra se descabelar por causa disso...

A IRL e outras são marcadas por esses desmandos as vezes...

4 de setembro de 2008 22:46

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